Compressor

Compressor não sobe pressão: 6 causas e como identificar cada uma

Compressor de ar com o manômetro parado: diagnóstico das causas de falta de pressão

Compressor que liga, faz barulho, mas o ponteiro do manômetro não sobe é um dos chamados mais comuns na oficina. E é também um dos que mais assusta o cliente à toa, porque o som de motor funcionando dá a impressão de que o problema é grande, quando na maioria das vezes está numa peça de reposição barata.

Este guia mostra as seis causas mais frequentes, na ordem em que a gente investiga na bancada, com o que você pode conferir sozinho e o que exige ferramenta.

Antes de mexer: desligue da tomada e despressurize.

Abra o registro de purga e deixe o reservatório esvaziar por completo antes de encostar em qualquer conexão. Ar comprimido acumulado empurra peça com força suficiente para machucar.

1. Anel de segmento gasto, a causa campeã

O pistão do compressor tem anéis que vedam a passagem de ar entre ele e a parede do cilindro. Com o uso, esses anéis desgastam. Quando isso acontece, o pistão continua subindo e descendo, mas parte do ar volta em vez de ir para o reservatório.

O sinal clássico é o compressor que sobe até certa pressão e empaca ali. Ele chega a 4 ou 5 bar e não passa disso, por mais tempo que fique ligado. Anel é peça de reposição comum, e a troca vem junto com a revisão do cabeçote.

2. Placa de válvulas suja ou trincada

Dentro do cabeçote existe uma placa com palhetas finas que abrem e fecham para deixar o ar entrar e sair no momento certo. Elas trabalham milhares de vezes por hora e acumulam carvão de óleo queimado. Suja, a palheta não fecha direito. Trincada, ela nem trabalha.

Esse caso costuma vir acompanhado de outro sintoma: o cabeçote esquenta muito mais que o normal, porque o mesmo ar está sendo comprimido de novo e de novo.

3. Válvula de retenção deixando o ar voltar

A retenção fica entre o cabeçote e o reservatório. A função dela é deixar o ar entrar e não deixar voltar. Quando falha, o compressor enche, e assim que o motor para o ar retorna pelo cabeçote.

Como identificar: encha o reservatório, desligue e escute. Se você ouvir um chiado contínuo saindo pela região do cabeçote, e o ponteiro cair rápido, é a retenção. Se o chiado vier de outro lugar, o assunto é o próximo item.

4. Vazamento na linha, nas conexões ou na purga

Este é o mais barato e o mais esquecido. Compressor que perde pressão parado nem sempre está com defeito: às vezes está só vazando por uma conexão frouxa, por uma mangueira ressecada ou pelo registro de purga que ficou meio aberto.

O teste é antigo e continua funcionando: encha o reservatório, misture detergente com água e passe com pincel em todas as roscas, conexões, no registro e na base do manômetro. Onde formar espuma, ali está o vazamento.

5. Filtro de ar entupido

Se o compressor não consegue puxar ar, ele não tem o que comprimir. Filtro saturado de poeira reduz muito a vazão de entrada e faz o equipamento demorar demais para encher, ou nunca chegar à pressão de corte.

É a verificação de trinta segundos: tire o filtro e olhe contra a luz. Se não passa claridade, está na hora. Em ambiente de marcenaria e funilaria, esse item vence bem mais rápido que o manual sugere.

6. Pressostato descalibrado

O pressostato é o interruptor que manda ligar quando a pressão cai e desligar quando sobe. Descalibrado, ele pode cortar cedo demais, dando a impressão de que o compressor não enche, quando na verdade ele está desligando antes da hora.

Vale desconfiar disso quando o equipamento chega sempre exatamente na mesma pressão e desliga sozinho, sem esforço aparente. Regulagem de pressostato tem parafuso de ajuste, mas mexer sem manômetro de referência costuma piorar. Esse é caso de bancada.

Compressor de ar de pistão com reservatório e cabeçote de dois cilindros na bancada da oficina, aberto para manutenção
Compressor de pistão aberto na bancada. O cabeçote fica em cima, e é lá dentro que estão os anéis e a placa de válvulas, as duas peças que respondem pela maior parte dos casos de falta de pressão.

Tabela rápida: sintoma e primeira suspeita

O que você observaPrimeira suspeitaSegunda suspeita
Sobe até certo ponto e paraAnel de segmento gastoPlaca de válvulas suja
Enche e esvazia sozinho paradoVálvula de retençãoVazamento em conexão
Demora muito para encherFiltro de ar entupidoAnel começando a passar
Corta sempre na mesma pressão baixaPressostato descalibradoManômetro com erro
Cabeçote muito quentePlaca de válvulasFalta de óleo ou ventilação obstruída
Sai água pela mangueiraFalta de purga do reservatórioFalta de filtro separador

O que você resolve hoje, sem ferramenta especial

Purgar o reservatório, conferir o filtro de ar, apertar conexões frouxas e fazer o teste da espuma resolvem uma parcela boa dos casos e não custam nada. Se depois disso o compressor continuar sem subir pressão, o problema está no cabeçote, e aí é desmontar.

A manutenção que evita quase tudo isto.

Purga semanal do reservatório, troca de óleo e filtro no intervalo do fabricante e não deixar o equipamento em local sem ventilação. Três hábitos simples que estendem a vida do cabeçote em anos.

Quando chamar a gente

Se o compressor desarma o disjuntor, cheira a queimado, faz barulho metálico novo ou você já fez o básico e ele continua sem pressão, chame. Mande uma foto da etiqueta com marca e potência e diga o que observou. Na maioria dos casos, a gente já indica a causa provável antes da visita.

Foto de Agenor de Mello
Sobre o autor

Agenor de Mello

Sócio-fundador da Rota Técnica

Sócio-fundador da Rota Técnica, empresa de manutenção de bombas d'água, piscinas, hidromassagens e equipamentos de cozinha industrial em Olímpia/SP e região.

Ver perfil completo

Precisa de um técnico em Olímpia ou região?

Descreva o problema pelo WhatsApp com uma foto da etiqueta do equipamento. Fazemos o diagnóstico prévio e informamos a faixa de preço antes de qualquer deslocamento.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

Compressor que não sobe pressão tem conserto ou é caso de trocar?

Quase sempre tem conserto. Anel, placa de válvulas, retenção, pressostato e filtro são peças de reposição. O que realmente condena um compressor é o reservatório corroído por dentro, que é vaso de pressão e não se recupera. Por isso a purga semanal importa tanto.

Posso trocar só o anel do pistão em vez do cabeçote inteiro?

Pode, e é o mais comum. O jogo de anéis é vendido separado. O que a gente costuma recomendar é revisar cabeçote e placa de válvulas na mesma abertura, porque o trabalho de desmontar já está feito e as duas peças desgastam juntas.

Compressor de consultório odontológico é diferente?

É. O de consultório é isento de óleo, mais silencioso, e trabalha com exigência de ar seco e limpo por causa do contato com o paciente. Ele não leva troca de óleo, mas leva atenção redobrada ao filtro, ao separador de água e à purga.

Quanto tempo um compressor deveria levar para encher?

Depende da potência e do volume do reservatório, e o próprio manual traz esse dado. O que importa é comparar com o comportamento de antes: se ele levava três minutos e agora leva dez, alguma coisa mudou, mesmo que ele ainda chegue à pressão.

WhatsApp